O Bar do Alemão nasceu sob o signo da música. Seu fundador foi Murilo, dono de uma imobiliária, bandolinista amador, que tinha o estranho hábito de cerrar as portas do bar às 20h. Depois disso só os amigos e os músicos.

Ficou pouco tempo e passou o bar para Dagô, um vendedor de livros que, dali para sempre, se tornaria a melhor expressão do bar, especialmente pelo seu estilo de tocar pandeiro: mexia os ombros, em vez do instrumento. 

Nesse tempo, o bar foi invadido pela nova geração de músicos, os egressos dos festivais da Tupi, cuja figura de maior destaque era Eduardo Gudin.

Algum tempo depois, Dagô convidou para caixa do bar o Nelsinho Risada, excepcional cavaquinho, que conhecia toda a obra de Jacob e Garoto, e seguia o estilo de Canhoto do Cavaco. A partir das 2 da manhã, Nelsinho tirava da carteira um recorte de jornal, sobre a morte de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, em 1954, e chorava lágrimas musicais sobre o papel.

Gradativamente, o choro passou a conviver com a jovem MPB e com os velhos boêmios da cidade. Foram tempos do produtor musical Pelão, do negão Almeida, do Baiano, do Passarinho, da Tina, nossa musa cantora, dos funcionários aposentados da Cesp, Riolando e amigos, que nos ensinaram o repertório de Joel e Gaúcho. Na roda do choro, Nelsinho, Heraldo, um mineiro tranquilo que tocava tudo de Garoto no violão, Serginho Leite, mal saindo da adolescência.

E não apenas isso. Os músicos cariocas descobriram o bar e corriam para lá, após seus shows na cidade. Cartola, Nelson Cavaquinho, Sinval Silva, ao lado de João Bosco, Paulo César Pinheiro, e dos jovens paulistanos ou recém-chegados, como Carlinhos Vergueiro, Vicente Barreto, Bendengó, Zé Geraldo.

Pelas mesas do bar vi passar Paulo Vanzolini e Adoniran, Hervé Cordovil e gênios desconhecidos do choro paulistano e os rapazes do MPB4.

A cidade mudou, o Alemão permaneceu. Hoje, sob o comando de Eduardo Gudin e Flávio Chaves, é uma peça de resistência da música brasileira, do choro, mas, principalmente, de uma São Paulo que teima em resistir.

Luis Nassif

(março/ 2018)

FUNCIONAMENTO
 
Terças e quartas-feiras:
das 18h à 01h
Quintas, sextas e sábados: 
das 18h às 03h
Domingos: das 18h às 24h*
*a abertura da casa aos domingos depende da programação.
CONTATO
Avenida Antártica, 554
Água Branca. São Paulo - SP
CEP 05003-020 
(11) 3862-5975
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